quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Barragem do Almourol-Email enviado ao INAG

Excelências,
Em 1993 decidi abandonar a minha actividade de direcção de hoteis e dedicar-me a um projecto a pensar no futuro dos meus sucessores.
Tomei de exploração uma unidade hoteleira, situada no centro histórico, por contrato de cedência de exploração com a Câmara Municipal de Constância.
Igualmente adquiri e reconstruí um edifício no mesmo local, do qual afectei uma dependência do rés-do-chão para transformar em estabelecimento de bebidas e comercialização de doçaria conventual local.

Sem pretensionismo afirmo, com alguma humildade, que a minha actividade contribui muito para a divulgação de Constância e consequente dinamismo comercial e prestação de serviços aos cerca de 50.000 visitantes e turistas de várias nacionalidades que anualmente aqui chegam.

Se, com as actuais barragens, acontece uma cheia de 4 em 4 ou 5 em 5 anos, que inunda os estabelecimentos a que estou ligado, a construção da barragem do Almourol à cota prevista provocará, decididamente, o assassinio comercial do centro histórico e o consequente abandono de toda a vida humana. Se a cota baixar não nos livramos, mesmo assim, de várias cheias todos os anos, com prejuízos difìcilmente calculáveis.
Emparedar desconfigura Constância e não faz qualquer sentido continuar a teimar numa actividade que morrerá muito ràpidamente.
Daí que eu preveja, se a construção vier a acontecer, o estudo de uma estratégia por forma a manter as minhas expectativas e as dos meus sucessores, que passará por exigir a cedência gratuita de instalações semelhantes ás que possuo, num ponto mais alto de Constância ou, em alternativa, a garantia de manutenção do nivel de vida para o meu agregado familiar e descendentes até à terceira geração.
Melhores Cumprimentos
Luis Gonçalves

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